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29.12.10

Succubus é um demónio personificado no feminino, representativo do pecado da luxúria. Uma Succubus irá tentar os homens durante o sono (no mundo dos sonhos) e ter relações sexuais com eles, sugando-lhes a alma no processo.

O homem continuará por vezes vivo, mas espiritualmente vazio.

 

 

A Succubus irá ainda usar o sémen recolhido das suas relações com homens para fertilizar mulheres, dando assim azo a uma nova geração de filhos do diabo. Para este efeito, irá pedir auxílio ao seu equivalente masculino, o Incubus, o qual tratará do processo de seduzir mulheres durante o sono e do respectivo acto sexual para a inseminação.

 


O mito de Succubus e Incubus poderá talvez aparecer como método para justificar a reprodução dos demónios. Sendo o milagre da vida (e portanto, a reprodução da mesma) algo atribuído a Deus, não seria no entanto razoável atribuir a Deus o milagre da reprodução de demónios e consecutivamente da existência de seres considerados demoníacos, como bruxas.

 

Na era medieval, quando alguém sofria de um mal grave durante o sono, ou mesmo morte durante a noite, era frequente ser atribuída a causa a uma visita de um desses demónios.

 

 

 

Refira-se ainda que, embora contemporaneamente estes demónios sejam retratados como criaturas belas e sedutoras, detentores de poderes de luxúria que transparecem visualmente, na época medieval eram retratados como criaturas horrendas, sendo na época o conceito de Succubus e bruxa muitas vezes sobreposto.

 

Mesmo outro tipo de criatura mitológica, como por exemplo os vampiros, que de certo modo partilham a ideia do contacto carnal com a vítima, acaba por ser retratado como uma criatura bela e deceptiva nos dias de hoje, mas como algo repugnante na antiguidade.

 


Como figura central associada ao pecado da luxúria pelo cristianismo, o demónio em questão era quase sempre considerado como a mente por trás de orgias e regra geral do pecado relacionado com actividades sexuais.

 

 

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Como é por muitos sabido, o nº 666 é associado ao demónio, tendo já sido fonte de inspiração para filmes e música.

As origens do nº 666 como conotação negativa virão do Livro do Apocalipse, no Novo Testamento da Bíblia. Parafraseando 13:16-18:

"E faz que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos, lhes seja posto um sinal na mão direita ou na testa, para que ninguém possa comprar ou vender , senão aqueles que tiver o sinal, ou o nome da besta, ou o número do seu nome. Aqui há sabedoria. Aquele que tem entendimento calcule o número da besta, porque é número de homem; e seu número é seiscentos e sessenta e seis"


O porquê de tal número será uma curiosidade da qual podemos especular de alguma forma. A mais óbvia será a da alusão ao imperador romano Nero, que terá incendiado Roma.
Nero seria o sexto imperador de Roma, e de acordo com antiga tradição, o seu nome escrito em hebraico teria o valor de 666. Aliado a esta curiosidade, vem o facto de que João o apóstolo escreveu o livro do Apocalipse durante o império de Nero ou pouco depois (cerca de 60 DC).

A título de curiosidade, quando a tradução é feita para latim, o seu valor fica em 616. Foi encontrada em alguma documentação arcaica a indicação de que o número da besta seria 616 e não 666, ou seja, confirmando a teoria de que o número da besta é uma referência a Nero.

A alusão à marca na mão ou na testa viria possivelmente do costume da marcação dos escravos por parte dos romanos.


Muitos prognosticaram, de acordo com a profecia apocalíptica em torno deste número, que o mundo acabaria em 1666 (e, quem sabe, mesmo no ano de 666, mas não há indícios escritos para tal). Obviamente tal não aconteceu.
Mais grave do que profecias inconcretizadas, foi o facto que que a tradução do nome do profeta Maomé (em Grego antigo Maometis) também se calcular ter um valor de 666, tendo sido argumento forte para justificar as cruzadas, indicando que o profeta Maomé seria de facto a besta referida no Apocalipse.

Em termos contemporâneos, onde há um interesse acrescido pelo misticismo, o número da besta é referido em várias obras de arte, entre pintura a música, passando pela indústria cinematográfica. É também fonte de inspiração para diversos cultos, numa era onde a expressão e liberdade religiosa não é alvo de censura (pelo menos não oficialmente) como outrora.
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Quem foi Abaddon?

 


Para muitos de nós, exceptuando talvez aqueles que leram muitos livros do fantástico, Abaddon é um nome desconhecido. Apollyon será um outro nome que lhe é conferido.

 

 

 

 

 


Abaddon foi identificado como sendo o anjo do abismo (literalmente: poço sem fundo), reconhecido por lá ter preso o diabo durante um milénio. Não o tomemos por benevolente porém, o seu nome estará rodeado de mistério, porque enquanto que por um lado é julgado como anjo por ter prendido o diabo, por outro o seu nome quererá dizer caos e destruição, sendo tambem identificado como um anjo caído. Curiosamente, Apollyon é tambem outro nome para inferno na Grécia antiga.

 


Para aumentar a ambiguidade relacionada com Abaddon, no Tarot o mesmo será representado pela carta do julgamento, o que lhe confere uma posição neutra e justa.

 


Apocalipse 9:11: E tinham sobre si rei, o anjo do abismo; em hebreu era o seu nome Abaddon, e em grego Apollyon.

 


Na Bíblia o nome prende-se igualmente com a silhueta do mistério. Se por um lado é identificado no livro do Apocalipse (note-se que apenas a tradução para português retrata o nome como Apocalipse, ou seja, o "fim do mundo". Noutras línguas o nome do livro será Revelações) como sendo o rei das criaturas que emergem do abismo evocando o caos e destruição, da mesma forma julga-se que será uma ferramenta de Deus e não um ser maléfico (tanto que pelo caminho atira o diabo para o abismo).

 


Como tantos outros seres religiosos ou mitológicos, a realidade é inatingível, sendo sempre alvo na nossa interpretação pessoal.

 

 

 

link do postPor Mak, às 15:27  comentar

A cultura do obscuro, do transcendente e do que está para lá da realidade é algo com que nos deparamos constantemente na tradição do místico.

No entanto, rara será a pessoa que realmente alguma vez na sua vida teve ou terá contacto com o sobrenatural, ou pelo menos contacto lúcido que possa comprovar que não se tratou de um sonho ou algum tipo de ilusão.
Um tipo de pessoa que, segundo a tradição, consegue contactar com o "além", será o sétimo filho. O sétimo filho é frequentemente tido como clarividente ou portador de algum tipo de visão profética, ou melhor e mais correctamente: o sétimo filho do sétimo filho.

Livros actuais como "The Seventh Son" por Orson Scott Card ou albuns de música como "Seventh Son of a Seventh Son" dos Iron Maiden, retratam este assunto profético enraizando a sua obscuridade natural.
No entanto o mito do sétimo filho vem desde a antiguidade. Ele é não só retratado no Velho e Novo Testamento como é referido em quase todas as culturas da antiguidade, sendo quase sempre referido como "o Divino" ou "o Escolhido" e evidenciando os seus poderes místicos.

 

 

 

 

 

 

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Na antiga religião dos povos da América Central, onde se contam entre os mais famosos, os Aztecas e os Maias, acreditava-se que um dos deuses do seu panteão seria uma serpente como penas, ou seja Quetzalcoatl (Quetzal = Penas de um tipo de pássaro; Coatl = Sepente). Este deus seria o deus do vento, da creatividade e da fertilidade.

Quetzalcoatl era, como muitas das divindades, uma criatura paradoxal, ou melhor, os homens fizeram desta divindade uma contradição. Se por um lado Quetzalcoatl era adorado com sacrifícios de animais dado que o mesmo era contra o sacrifício humano, por outro lado está escrito que os Aztecas, na reconsagração da Grande Pirâmide de Tenochtitlan, sacrificaram cerca de 84.000 prisioneiros em 4 dias...

 



Quetzalcoatl tem uma história ligada aos astros de uma forma única. É dito que Quetzalcoatl foi expulso do seu reino, Tula, por Tezcatlipoca e ao chegar à costa leste do México, ter-se-há cremado numa pira funerária. Ao fazer este acto, o seu coração subiu aos céus por entre as cinzas e transformou-se na Estrela da Manhã (na verdade o planeta Vénus). Visto que o planeta Terra e Vénus têm ciclos anuais diferentes, a Estrela da Manhã e as suas cíclicas transformações em Estrela da Noite formam um complexo ciclo de 52 anos, o qual é celebrado com o nome de "uma palha", ano em que Quetzalcoatl reapareceria como senhor dos Toltecas, povo de Tula.

Uma das maiores curiosidades acerca de Quetzalcoatl, e a que possivelmente levou à conquista dos povos da América Central pelos espanhóis, terá sido a de que o deus em questão teria uma cara feia, pelo que teria deixado crescer a barba para a esconder e por vezes usava uma máscara branca. Dado que os invasores espanhóis seriam muito brancos comparados com os povos locais e visto que usariam quase todos barba, pensou-se que seriam Quetzalcoatl, pelo que os povos locais, em vez de se defender, ajoelharam-se em adoração.
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Um dos heróis mais célebres da antiga Grécia, que tanto toca o real como o mitológico, será sem dúvida Aquiles. Celebrado originalmente na cultura popular e na Íliada de Homero, Aquiles o guerreiro será um dos personagens de maior destaque no episódio da guerra de Tróia.

O nome Aquiles, deriva da conjunção das palavras Akhos (angústia) e Laos (povo, tribo), ou seja, Aquiles poderá ser interpretado como a angústia do povo, ou de uma nação.

Aquiles, segundo reza a lenda, seria filho de Peleus, rei dos Mirmidões e de Thetis, uma ninfa do mar. Segundo poema escrito numa época mais tardia (Séc. 1 dc, sendo que Aquiles teria vivido no Séc. 13 ou 12 ac) Thetis, querendo conferir a imortalidade a seu filho, terá mergulhado o mesmo no rio Styx, mas por lapso terá deixado de fora o calcanhar, que se terá revelado o seu ponto fraco e a sua fatalidade. Aquiles terá desenvolvido a sua capacidade de guerrear mais profundamente dado que não foi criado por seus pais mas sim por Chiron o Centauro, que conta entre os seus pupilos o semi-deus Héracles (vulgo Hércules).

Aquiles terá sido um dos poucos mortais que terá tido alguma relevância entre os deuses, de uma forma bastante irónica. Zeus e Poseídon seriam rivais na conquista de Thetis, mas foram alertados por Prometeu o Titã, que Thetis traria no seu ventre um homem maior que o seu pai, o que de certo modo intimidou o deus supremo e o deus do mar, desistindo desta forma da sua conquista cedendo a mão de Thetis a Peleus.

Aquiles será também, dada a sua natureza supra-humana, o único mortal segundo a mitologia grega que é tocado pela Menis, uma raiva avassaladora que afecta unicamente os imortais. Leia-se as duas primeiras linhas da Ilíada:


Raiva - canta Deusa, a Raiva de Aquiles, o filho de Peleus,
a Raiva destruidora que trouxe incontáveis angústias aos Aqueus...

 




Das névoas místicas do norte, por entre lendas e vislumbres em barcos vikings, chegam as Valquírias.
As Valquírias, retratadas como belas guerreiras, chegam aos campos de batalha montadas nos seus cavalos alados para recolher os mais bravos guerreiros caídos em combate e levá-los para Valhalla, reino onde habitaria Odin, deus supremo na cultura nórdica. A mais famosa das Valquírias teria por seu nome Brynhildr e, para alem de Valquíria, seria também uma princesa nórdica, facto pelo qual se confirma que as Valquírias estão num plano entre o terreno e o divino, dado que fazem a sua ponte de ligação. Este retrato que hoje em dia temos delas não é no entanto uma cópia fidedigna da visão da época. As originais Valquírias pensa-se ser sacerdotisas de Odin, sendo as responsáveis por sacrifícios efectuados em seu nome. Os relatos da época indicam que as Valquírias seriam mulheres feias e corpulentas que chegavam aos campos de batalha montadas em lobos ou corvos e não em cavalos alados. Dizem as lendas que as auroras boreais são o reflexo das suas armaduras no céu ou, na visão mais romântica, que são o rasto dos seus cavalos alados...






link do postPor Mak, às 14:40  comentar

Do grego Sátyroi (Σάτυροι), chega-nos esta criatura mitológica.
O Sátiro é geralmente referido como uma criatura meio homem - meio bode. Será de aparência um ser humano masculino, por vezes com cornos e pés de cabra e geralmente associado à fertilidade masculina, sendo para este efeito muitas vezes representado com um falo erecto.
O Sátiro, está também ligado na cultura helénica ao culto de Dionísio ou mais tarde na cultura Romana ao culto de Baco, sendo sempre uma criatura mitológica relacionada com os excessos, vivendo para dançar, beber e perseguir Ninfas.
Tal como acontece com muitos dos frutos da cultura pagã, os traços desta criatura foram mais tarde distorcidos pelo monoteísmo, passando de traços de uma criatura irreverente e festiva para traços de criaturas associadas ao mal. Não é por acaso que dentro da cultura Cristã, o ser supremo associado ao mal tem os mesmos traços: pés de cabra, cornos, etc. Notavelmente, e apesar da firme crença (por parte dos praticantes) de que há uma separação total entre as culturas e religiões, as adaptações dos conteúdos de umas para outras faz-se sempre sentir de alguma forma, nomeadamente pela sua associação ao "mal".
O Sátiro, como outras criaturas do género, é notavelmente difícil de definir no panteão das divindades gregas. Se por um lado os sátiros são retratados como simples criaturas mitológicas lideradas por Silenus (grande companheiro de Dionísio conhecido por estar permanentemente embriagado e ter de ser transportado pelos sátiros), por outro lado são eles próprios retratados como semi-deuses, deixando-nos com algumas dúvidas acerca da sua importância para a cultura da época.
É de notar também que o sátiro não terá sempre sido retratado com a aparência descrita neste texto. Inicialmente terá sido retratado como alguém velho e careca, imagem associada à decadência e humilhação pelo povo grego, que idolatrava a juventude. Só mais tarde o sátiro terá sofrido transformações, tornando-se mais novo e gracioso. A aparência mais caprina terá sido agravada já durante o período romano, onde terá havido uma confluência com os faunos, criaturas de aspecto similar que habitariam os bosques.

 

 

 

 

 

link do postPor Mak, às 14:27  comentar


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